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QUEM ÉS TU, NORMA JEANE?. 100 ANOS DE MARILYN MONROE | Ciclo de Cinema | Sessão #2

terça, 5 mai 2026 · 20:30 · Casa Comum - Reitoria U.Porto

O ciclo Quem és tu, Norma Jeane? – 100 anos de Marilyn Monroe, que assinala o centenário de Marilyn Monroe, propõe uma revisitação crítica da sua carreira e da sua figura, muitas vezes reduzida ao estereótipo de sex symbol.

Através de seis filmes, exibidos na Casa Comum nos dias, 5,6,8 e 9 de maio, o programa procura revelar a complexidade de Marilyn Monroe enquanto atriz, cantora e intérprete multifacetada, evidenciando o seu talento e a forma como construiu personagens que ultrapassam a imagem simplificada que ficou na cultura popular.

Ao longo da sua filmografia, trabalhada com realizadores como Billy Wilder, Howard Hawks ou John Huston, Monroe surge como uma figura contraditória e profundamente humana: simultaneamente poderosa e vulnerável, consciente das limitações impostas às mulheres e em constante tentativa de afirmação pessoal e artística. O ciclo destaca ainda a forma como as suas personagens dialogam com a sua própria vida, marcada por fragilidade, trauma e uma busca persistente por autonomia, refletindo também as tensões culturais e políticas dos Estados Unidos das décadas de 1950 e 60.

A programação deste ciclo é assinada por Francisco Noronha (Porto, 1988), realizador, programador e crítico de cinema e música no jornal Público, com colaborações em várias publicações nacionais e internacionais. Mestre em Direito pela Universidade do Porto e em Cinema pela Universidade Católica Portuguesa, é também autor de filmes exibidos em festivais e co-criador do podcast de cinema Noites de Cabíria, produzido pela Casa Comum.

Após cada sessão, haverá uma conversa com convidados e cinéfilos e especialistas.

A entrada é livre.

PROGRAMA:

05’MAI | 18h00

Don’t Bother to Knock/Os Meus Lábios Queimam

Roy Baker, EUA, 1952, 1h16 min, FIC

Conversa: Manuela Hargreaves (historiadora de arte) e Marina Leonardo (atriz e realizadora)

Sinopse

Thriller psicológico ambientado quase inteiramente num hotel de Nova Iorque, onde a aparente tranquilidade do espaço contrasta com a crescente instabilidade emocional das personagens. Marilyn Monroe interpreta uma jovem (Nell) contratada como ama de uma menina hospedada num hotel enquanto os pais fazem uma saída noturna. O que começa como um encontro casual entre Nell e Jed, um piloto emocionalmente desequilibrado, volve-se numa espiral de tensão que vai revelando traumas profundos. Um dos primeiros papéis
que permitiu a Monroe explorar uma dimensão dramática intensa, afastando-se da imagem de símbolo sexual, e que antecipou questões que marcariam a sua vida pública e privada.

05’MAI | 21h30

Niagara

Henry Hathaway, EUA, 1953, 1h32 min, FIC

Conversa: Daniela Rôla (crítica de cinema) e Cláudia Coimbra (investigadora)

Sinopse

Thriller noir ambientado nas Cataratas do Niágara, onde a paisagem turística e ensolarada contrasta com uma história de desejo e violência. Rose está presa a um casamento sufocante com George Loomis, um veterano de guerra violento e controlador, e giza um plano para assassiná-lo com a ajuda do amante. Um dos papéis mais sombrios de Marilyn Monroe, que assume pela primeira vez o estatuto inequívoco de protagonista e de força motriz da narrativa, adicionando à figura da femme fatale do noir clássico uma intensidade trágica singular.

06’MAI | 18h00

River of No Return/Rio Sem Regresso

Otto Preminger/Jean Negulesco, EUA, 1954, 1h31 min, FIC

Conversa: Vítor Ribeiro (diretor e programador do Cineclube de Joane) e Ana Carneiro (diretora e programadora do Cineclube do Porto)

Sinopse

Western passado na paisagem agreste do Canadá do século XIX, no qual um agricultor viúvo e ex-presidiário vive isolado com o filho até ao momento em que a sua rotina é interrompida pelo aparecimento de Kay Weston. A personagem de Monroe leva-os a embarcar numa difícil viagem por um rio traiçoeiro, metáfora da transformação moral e emocional das personagens. O arco narrativo do filme pode ser lido como uma crítica à lógica da redenção feminina, típica do western clássico, no qual a mulher “com um passado” só é aceite se renunciar à sua identidade. Título que marca a transição de Monroe para papéis de maior visibilidade e complexidade dramática num género tradicionalmente masculino como o western.
*

06’MAI | 21h30

Bus Stop/Paragem de Autocarro

Joshua Logan, EUA, 1956, 1h36 min, FIC

Conversa: Daniel Marques Pinto (professor universitário) e Pedro Ludgero (músico e realizador) [Podcast “Noites de Cabíria”]

Sinopse

Drama sobre um grupo de pessoas que fica preso pela neve numa pequena cidade do Arizona. No centro, está Cherie, uma cantora de saloon que se vê envolvida com Bo, um jovem e agressivo cowboy que, de forma abrupta, decide que ela será sua esposa. Depois de apresentada inicialmente dentro do estereótipo, a personagem de Monroe rapidamente revela uma mulher emocionalmente complexa e consciente da sua vulnerabilidade, recusando-se a romantizar a violência às mãos dos homens. Momento-chave na carreira da atriz e um dos seus desempenhos mais maduros, foi um dos primeiros filmes de Monroe após o surgimento da Marilyn Monroe Productions, produtora por si fundada na busca de um maior controlo e independência artísticos.

08’MAI | 21h30

Let’s Make Love/Vamo-nos Amar

George Cukor, EUA, 1960, 1h59 min, FIC

Conversa: Miguel Ramalhete Gomes (professor universitário) e José Reis (professor universitário)

Sinopse

O bilionário Jean-Marc Clément descobre que será alvo de sátira numa revista. Decide ir ao teatro, onde vê Amanda a ensaiar uma canção, e o encenador acaba por o confundir com um ator ideal para interpretar… ele próprio na peça. Jean-Marc aceita o papel apenas para poder estar mais próximo de Amanda.

09’MAI | 21h30

The Misfits/Os Inadaptados

John Huston, EUA, 1961, 2h05 min, FIC

Conversa: António Roma Torres (psiquiatra e crítico de cinema) e Bernardo Pinto de Almeida (historiador de arte e ensaísta)

Sinopse

Crónica melancólica de um grupo de pessoas deslocado no deserto de Nevada, unidas por relações frágeis e um sentimento comum de inadequação diante de um mundo em transformação. Naquele que foi o seu último filme completo, Monroe é uma mulher recém-divorciada que chega ao deserto em busca de um recomeço, e cuja força reside na recusa à insensibilidade que domina os homens ao seu redor. As três figuras masculinas (Clark Gable, Montgomery Clift e Eli Wallach) são todas, de certa forma, representantes de modelos de masculinidade em declínio, incapazes de se adaptarem a novas formas de relação. Uma obra crepuscular com argumento de Arthur Miller, à data o marido de Monroe, cuja personagem ecoa a sua biografia (o esgotamento emocional, a busca pelo amor genuíno, o sentimento de não-pertença) pouco antes do seu desaparecimento.