Uma deriva atlântica
Uma deriva atlântica faz e desfaz caminhos pelas artes do século XX, enquadradas mais especificamente no arco temporal de 1909 a 1977, procurando desarrumar ideias feitas e cânones estabelecidos através da convocação de referências e formas artísticas habitualmente dissociadas. Segue uma cronologia inconstante, com desvios e saltos temporais, mostrando ligações e confrontos entre as margens europeia e americana para indicar possíveis relações e derivas por vezes esquecidas ou ausentes da história da arte.
O Atlântico, sobretudo a partir de meados do século XX, torna-se um espaço fundamental de trânsitos e exílios, suscitando novas afinidades geopolíticas que moldam as subjetividades modernas com repercussões até ao presente. Enquanto remontagem da coleção permanente, Uma deriva atlântica apresenta uma seleção de artistas portugueses e internacionais, entre pintura, escultura, desenho, instalação e artes gráficas, que desenham a arte na história do mundo e mostram a modernidade enquanto eclosão múltipla de importantes transformações sociais, artísticas e tecnológicas.
De Pablo Picasso a Amadeo de Souza-Cardoso, de Lourdes de Castro a Marcel Duchamp, de Andy Warhol a Wifredo Lam, de Maria Helena Vieira da Silva a Joaquín Torres-García, de Jackson Pollock a Malangatana, e de Lucio Fontana a Ana Hatherly, num total de cerca de 160 artistas, a exposição apresenta uma série de capítulos que revelam as complexidades do desenvolvimento histórico e artístico no século XX. Marcado por duas Guerras Mundiais na Europa e pelas suas consequências até aos processos de revoluções e descolonização da década de setenta, este arco temporal mostra-se também permeável à transformação, podendo ser repensado em novos percursos.
Enquanto exposição permanente em permanente transformação, Uma deriva atlântica apresenta de forma inédita as coleções em comodato no MAC/CCB — principalmente a Coleção Berardo, mas também a Coleção Holma/Ellipse, a Coleção Teixeira de Freitas e a Coleção de Arte Contemporânea do Estado —, integrando também empréstimos de coleções em Portugal que permitem também redesenhar o lugar da arte portuguesa nas artes do século XX.
Os textos da exposição são redigidos por diferentes autores e autoras de disciplinas e contextos geográficos distintos. No caso do português do Brasil, mantém-se a grafia original. Respeitaram-se também as grafias pré- e pós-AO90.
Curadoria de Nuria Enguita (diretora artística MAC/CCB) e Marta Mestre (curadora MAC/CCB)
Assessoria científica de Mariana Pinto dos Santos
◾ Percurso transversal: visita em inglês
Uma deriva atlântica. As artes do século XX a partir da Coleção Berardo + «May I Help You? Posso ajudar?» Artes e artistas da década de 1970 em diante
Sábado, 13 junho, às 15:00
Participação gratuita mediante inscrição prévia através de formulário ou pelo e-mail servico.educativo.museu@ccb.pt, e aquisição do bilhete de entrada no Museu.